Situações de Aprendizagem

Pausa - Moacyr Scliar

Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro, fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando:

— Vais sair de novo, Samuel?

Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.

— Todos os domingos tu sais cedo — observou a mulher com azedume na voz.

— Temos muito trabalho no escritório — disse o marido, secamente

Ela olhou os sanduíches:

— Por que não vens almoçar?

— Já te disse; muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.

A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse à carga. Samuel pegou o chapéu:

— Volto de noite.

As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente; ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas. Estacionou o carro numa travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo.

Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé:

- Ah! seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente...

- Estou com pressa, seu Raul - atalhou Samuel.

- Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre. - Estendeu achave.

Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:

- Aqui, meu bem! - uma gritou, e riu; um cacarejo curto.

Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta à chave.Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho; a um canto, uma bacia cheia d'água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.

Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido;com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata.
Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se e fechou os olhos.
Dormir.
Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a mover-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.

Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido.

Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa. Perseguido por um índio montado a cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados; índio acabara de trespassá-lo com a lança Esvaindo-se em sangue, molhado de suor. Samuel tombou lentamente: ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.

Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, lavou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu. Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista.

- Já vai, seu Isidoro?

- Já - disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio.

- Até domingo que vem seu Isidoro - disse o gerente.

- Não sei se virei - respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caía.

- O senhor diz isto, mas volta sempre - observou o homem, rindo.

Samuel saiu.

Ao longo do cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.



Situações de Aprendizagens


Juliana Pratalli Trevelin:

Atividade antes da Leitura:
- Ativação de conhecimentos prévios por meio de perguntas, explorando o título;
- Levantamento de hipóteses  sobre a abordagem temática do texto;
- Informações fornecidas pelo professor sobre a biografia do autor.
Durante a Leitura:
- Leitura em voz alta pelo professor;
- Levantamento das palavras desconhecidas no texto – consulta a dicionário;
- Segunda  leitura – orientada pela professora chamando atenção  para informações, sugerindo comparações e generalizações;
- Análise da dinâmica desenvolvida,  a partir do movimento natural do texto  ( no início do texto as ações são muito rápidas e depois desacelera)
Depois da leitura:
- Intertextualidade – músicas:  Construção (Chico Buarque)
                                                        Cotidiano (Chico Buarque)
                                                        Tédio  (Biquini Cavadão)
(Observar a reação de cada “eu-lírico” diante da rotina)                      
- Leitura de imagens – percepção de outras linguagens – estabelecer  relações de sentido;
- Propor questões reflexivas para discussão,  contemplando o dia a dia (modernidade X épocas antigas)
- Proposta de outras leituras que abordam temas relacionados.
Circuito Fechado
Ricardo Ramos

Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina,sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapo. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, bloco de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetor de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras. Cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, chinelos. Vaso, descarga, pia, água, escova, creme dental, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.
 
http://cesargiusti.bluehosting.com.br/Contos/textos/circuito.htm

Leitura de Imagens



Construção
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague

Cotidiano

Chico Buarque

Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café.
Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Seis da tarde, como era de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.
Toda noite ela diz pr'eu não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café.
Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Seis da tarde, como era de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.
Toda noite ela diz pr'eu não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.

Tédio

Biquini Cavadão

Alô!
Sabe esses dias
Em que horas dizem nada
E você nem troca o pijama
Preferia estar na cama
Um dia, a monotonia
Tomou conta de mim
É o tédio
Cortando os meus programas
Esperando o meu fim...
(Refrão)
Sentado no meu quarto
O tempo vôa
Lá fora a vida passa
E eu aqui à tôa
Eu já tentei de tudo
Mas não tenho remédio
Prá livrar-me desse tédio...
Vejo o programa
Que não me satisfaz
Leio o jornal que é de ontem
Pois prá mim, tanto faz
Já tive esse problema
Sei que o tédio
É sempre assim
Se tudo piorar
Não sei do que sou capaz...
(Refrão)
Vejo o programa
Que não me satisfaz
Leio o jornal que é de ontem
Pois prá mim, tanto faz
Já tive esse problema
Sei que o tédio
É sempre assim
Se tudo piorar
Não sei do que sou capaz...
(Refrão)
Tédio!
Não tenho um programa
Tédio!
Esse é o meu drama
O que corrói é o tédio
Um dia eu fico cego
Me atiro deste prédio..


Roseane Moreira Fortes Santana:
Público alvo: 9º ano
Tempo estimado: 6 aulas
1ª Etapa:
  Questionamento: O que significa a palavra “Pausa”?
   Provocação: Você costuma ter momentos secretos? Com que frequência? Como eles são vividos? Quem gostaria de relatar?
2ª Etapa:
  Leitura do texto.
  Você julga que todos os nossos sentidos, atividades do nosso corpo, nossos órgãos precisam de pausas?
  Como se dá a pausa neste texto?
  Por que o personagem precisava dessa pausa?
3ª Etapa:
  Que cena você imagina nessa sequência: “... ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas.”? Se necessário, consulte um dicionário.
  Quando as pessoas fazem uma pausa no seu trabalho, na escola, por exemplo nas férias, onde costumam ir?
  Por que Samuel procurou “um hotel pequeno e sujo”?
4ª Etapa:
  Reflexão:
§  A pausa é, de fato, um momento solitário?
§  Qual a participação de cada personagem do texto na pausa de Samuel?
§  Que tipo de narrador o texto apresenta? Qual a relação entre a escolha do narrador e o contexto?
5ª Etapa:
  Análise da intertextualidade e da interdiscursividade.
§  Ouvir a música: Socorro- Arnaldo Antunes by Laurinha Chuchu Youtube.
§  Estabeleça semelhanças e diferenças entre o texto e a música “Socorro” de Arnaldo Antunes.
6ª Etapa:
  Conclusão:
§  Onde nos leva a falta dessa pausa?
§  Como  a ausência desta  interfere na qualidade de vida? Como cada um sinaliza a necessidade dessa pausa (pedido de socorro)?
  Sugestão de atividade escrita:
§  Redija um artigo de opinião sobre o seguinte tema: A necessidade da pausa na vida das pessoas.


Fátima Maria Buosi:

1º Momento – Aula expositiva/Sensibilização:

·         O professor levará imagens de diferentes casais e famílias em momentos de descontração, que serão apresentadas em data show;
·         Os alunos terão a oportunidade de observar, refletir e demonstrar as impressões sobre as imagens;
·         Os alunos serão instigados a responder oralmente sobre as seguintes proposições:
·         Em que momentos as pessoas se reúnem para atividades de lazer? E em quais situações  isso acontece?
·         Qual o dia da semana ideal para realizar essas atividades?
·         Nesses encontros predominam apenas situações descontraídas ou pode trazer à tona problemas familiares?
   

2º Momento – Leitura do texto

·         Após a leitura do título “Pausa” os alunos farão inferências sobre os múltiplos sentidos da palavra;
·         Em seguida, o professor distribuirá aos alunos o trecho inicial do conto, ocultando o desfecho;
·         Feita a leitura, o professor iniciará a análise dos elementos da narrativa e das características do gênero textual “Conto” ;
·         A partir da análise serão discutidos os seguintes aspectos:
·         Características físicas e psicológicas das personagens;
·         A descrição do espaço;
·         Os tempos cronológico e psicológico;
·         O enredo;
·         Foco narrativo.


3º Momento – Levantamento de hipóteses e produção textual

·         Os alunos levantarão hipóteses sobre o desfecho do conto;
·         Posteriormente, o professor irá propor aos alunos uma produção escrita de um possível final para a narrativa;
·         Após a leitura das produções, o professor fará a releitura do texto, revelando o desfecho original.


4º Momento – Revisão, reescrita e exposição.

·         Os alunos farão a revisão das produções com a intervenção do professor;
·         Após a revisão os alunos realizarão a reescrita do texto, que em seguida, serão expostos no mural da escola.


Meu Primeiro Beijo
Antonio Barreto

É difícil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E sabem com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele sabíamos exatamente o que era "o beijo". Só de filme. Estávamos virgens nesse assunto, e morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...
Não sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos seus milhares de bilhetinhos:
" Você é a glicose do meu metabolismo.
Te amo muito!
Paracelso"
E assinou com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele. Assinou com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal, coisas de mulher... E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele, mesmo sem saber que tipo de lance ia rolar.
No dia seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus, veio com o seguinte papo:
- Um beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.
Mas ele continuou:
- Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:
- A gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina; 0,18 g de substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo menos 250 bactérias...
Aí o bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou os meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse que, sem os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes. E achei gostoso aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a pontinha do meu nariz, fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus lábios tocaram os meus. Primeiro de leve, depois com mais força, e então nos abraçamos de bocas coladas, por alguns segundos.
E de repente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos transposto, juntos, o abismo do primeiro beijo.
Desci, cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos apaixonados por vária semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e voltaram, o tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram, depois diminuíram... e foi ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo. Mas foi inesquecível!


Situações de Aprendizagens


Ilza Maria Gomes Cardeal Pimenta:

Público-alvo: 9º Ano

Tempo previsto: 6 aulas

(Orientação inicial: o professor dividirá os alunos em grupos de quatro integrantes, de forma heterogênea)

1-Ativação de conhecimento

Observação das imagens e diálogo sobre o primeiro beijo

2-Localização de informações e produção de inferências locais e globais

Expectativas de leitura a partir do título
Leitura: individual com levantamento de vocabulário e depois pelo professor fazendo  intervenções
Cada grupo faz uma leitura e cria questões (de 4 a 6)
Os grupos trocam as questões para serem respondidas
Correção coletiva oral

3-Pesquisa

Biografia do autor
Benefícios e malefícios do beijo
A cultura do beijo no mundo

4-Recuperação do contexto de produção

Produção textual sobre o tema em diversos gêneros, a escolha do grupo: poema, histórias em quadrinhos, letras de música, teatro entre outros.

5-Percepção das relações de intertextualidade

O primeiro beijo- Walcyr Carrasco
Beijos- Luis Fernando Veríssimo
O primeiro beijo- Clarice Lispector
Cenas de beijo em filmes: O Homem Aranha, Romeu e Julieta, Dom Casmurro
Músicas

6-Produção final

Realização de um sarau denominado "Dia do Beijo", com as exposições escritas, orais e artísticas dos alunos, material a ser divulgado no blog da escola.

7-Fontes de pesquisa



Tatiana Pelet Andrade:

u  Conteúdos e temas: Estudo do gênero textual crônica; elementos da narrativa; leitura de crônicas diferenciadas, produção de narrativas coletiva (crônica); estudo dos aspectos linguísticos; preenchimento de ficha organizativa.
u  Competências e habilidades: Inferir o sentido principal do texto, no sentido global; Reconhecer o gênero do texto em estudo; Interpretar o sentido do texto; Localizar itens de informações explicita e implícitas; Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que compõem a narrativa.
u  Estratégias: Leitura individual e coletiva de crônicas, discussão oral sobre o texto, interpretação do texto; e organização e preenchimento de ficha organizativa/ ficha de leitura.
u  Recursos: Texto Meu primeiro beijo de Antonio Barreto; outras crônicas selecionadas pelo professor, Internet.
u  Avaliação: Produção de crônica direcionada pelo professor; Preenchimento de ficha organizativa com elementos do texto.

1º PASSO
 LEITURA E ESTUDO DO GÊNERO

u  Leitura individual e silenciosa;
u  Leitura coletiva sem quebrar o texto, os alunos acompanham a leitura feita pelos colegas;
u  Leitura realizada pelo professor na sala de multimídia;
u  O professor deve fazer com que os alunos percebam as informações explicitas do texto, através da entonação, do ritmo e das pausas durante sua leitura e neste mesmo processo poderá fazer o destaque das informações gerais do texto, juntamente com os alunos, utilizando o marcador de texto, localizado na barra de ferramentas do Word.

O professor poderá explanar sobre o conceito do gênero crônica, fazendo uma explanação rápida de suas características, sem se aprofundar muito, visto que o estudo do gênero crônica é um pouco complexo para esta série.

Preenchimento de ficha organizativa com as informações gerais do texto.

Título
Autor
Veículo em que foi publicado
Tema
Gênero
 
 
 
 


2º PASSO
ESTUDO DOS ELEMENTOS DA NARRATIVA

u  Primeiramente o professor fará uma discussão sobre o tema do texto lido, induzindo-os a falarem e trocarem ideias.
u  Vocês já conheciam esse texto?
u  O que acharam dele?
u  Qual o tema tratado no texto?
u  A seu ver, qual o público alvo desse texto? Explique.
u  Após a discussão, fazer uma síntese dos elementos da narrativa, apenas como introdução ao assunto, sem o objetivo de esgotá-lo. Dando superficialmente as definições.
u  Personagem – ser que vive a história inventada;
u  Enredo – sequência de acontecimentos vivida pela personagem;
u  Tempo – período construído dentro da história;
u  Espaço – conjunto de elementos externos ou internos em que os personagens se situam;
u  Foco narrativo – voz que conta a sequência dos fatos.

Aspecto
História analisada
Foco narrativo
1a ou 3a pessoa?
Personagem
Quais são?
Enredo
Quais os principais acontecimentos  da história, na sequência em que são apresentados?
Tempo
Quanto tempo a história parece representar?
Há marcas da passagem do tempo no texto? Quais?
Espaço
O que sabemos sobre os espaços em que as personagens vivem suas ações?


u  Solicitar que os alunos elaborem um esquema da escrita, indicando:
u  Quais os fatos centrais que serão narrados?
u  Em que sequência?
u  Eles estão localizados em que intervalo de tempo? (Minutos, horas, dias etc.)
u  Em que espaço(s) a história ocorre?
u  Quantas personagens a história apresenta?

3º PASSO
APRESENTAÇÃO DE OUTRA CRÔNICA DE ESCOLHA DO PROFESSOR.

u  O objetivo desta atividade  é a sistematização da aprendizagem das aulas  anteriores, para avaliar o nível de aprendizagem apresentado pelos alunos.( o professor poderá repetir o mesmo processo aplicado nas aulas anteriores , mas agora com um texto diferente).

4º PASSO
PRODUÇÃO DE TEXTO COLETIVA

u  Nesta aula o professor deverá recapitular algumas características básica do gênero crônica e propor aos alunos que escolham um tema envolvendo a escola.   Discutir um pouco sobre este tema. E, após, juntamente com eles, realizar a produção de um texto coletivo, onde o professor deverá puxar as ideias dos alunos, e construir esse texto na lousa. Após a construção, fazer uma leitura crítica observando o que poderiam mudar, ou acrescentar. Pedir que os alunos copiem este texto no caderno.

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